domingo, 17 de maio de 2009

Noites Brancas


Noites Brancas (Le Notti Blanché)
Luchino Visconti - 1957
Maria Schell, Marcello Mastroianni e Jean Marais.

Noites Brancas, é um romance do escritor Fiódor Dostoiévski, que Visconti trouxe pro cinema. Não sou muito a favor de ver o filme e só depois ler o livro, mas foi o que aconteceu com Noites Brancas. Um filme que faz pensar sobre o que realmente vale a pena: permanecer com quem está ao seu lado em todos os momentos ou negar tudo e arriscar um romance com um "desconhecido".
Mario (Marcello Mastroianni) se apaixona por Nathália (Maria Schell), que por sua vez, está apaixonada pelo estranho que fica hospedado em sua pensão (Jean Marais). Em nenhum momento do filme é mencionado o seu nome, o que nos dá a idéia de como era a relação da moça com ele.
Mais do que um triângulo amoroso qualquer de um filme de romance, o caso dos três é incomum pois não há rivalidade explícita entre Mario e o Inquilino, a não ser por Mario se apaixonado por Maria. Não há encontro em que os dois briguem pelo amor da moça. Mas a confusão mental de Nathália já faz este papel.
O filme mostra os dois lados do amor: o presente e aquele em que não existe o contato diariamente. Um momento que me chamou atenção foi a conversa de Nathália e Mario sobre o que é a fantasia e como nós deixamos que ela entre e faça parte da nossa vida.
Vale a pena assistir o filme porque além de ser conquistador, tem um lindo cenário e uma bela fotografia.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fritz Lang


Para ser diretor de cinema, é importante que se tenha versatilidade. Versatilidade no sentido, dentre muitos, de saber dirigir de uma comédia ao suspense, sem perder seu toque pessoal. Por exemplo, um diretor que é bem característico é Stanley Kubrick. Cada detalhe de seus filmes são únicos, tem um pouco de sua caractetística como diretor.
Esse fim de semana, assisti mais um filme de Fritz Lang. Apesar de ter uma vasta filmografia, ainda não vi muitos de suas obras. Mas Metrópolis e Os Corruptos são, com certeza, filmes inesquecíveis e que todas as pessoas deveriam ver. E com esses dois filmes, ficou claro como esse é um diretor versátil e consegue transmitir, mesmo subjetivamente, o seu ponto de vista.
A contradição de capitalistas e proletários, corrupção, os hábitos condenáveis da sociedade moderna: a excessiva preocupação com bens materiais, com a aparência, enfim, com o superficial. É um daqueles diretores que deixa um pouquinho de si no que faz. Tanto na sua obra prima, quanto nos seus menores e menos conhecidos filmes.
É importante que o diretor saiba caminhar por vários gêneros, para não ser caracterizado por uma única obra ou estilo. E para que não deixa o espectador com aquela sensação de que já viu alguma coisa parecida. Ou então, mesmo que seja "parecido", que o espectador sinta que há pelo menos uma característica que o destingue dos demais filmes, que se torne inesquecível.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Pântano



O Pântano é um filme argentino de 2000, dirigido por Lucrecia Martel, vencedora do prêmio Alfred Bauer, no Festival de Berlim, para diretores estreantes.

Mecha e Tali (Graciela Borges e Mercedes Morán, respectivamente), são primas que se encontram em situações bem diferentes. Mecha tem um marido ausente e filhos adolescentes, enquanto Tali tem um marido mais presente e filhos pequenos. Com alguns acidentes e incidentes, começam a se aproximar de novo.

Quando se tem um filme em espanhol, é comum persarmos em alguns aspectos tradicionais, principalmente aqueles usados por Almodóvar ( rica trilha sonora, homossexualismo e violência), mas O Pântano é um diferencial nesse aspecto. O filme mais se parece com uma filmagem despreocupada do cotidiano das duas famílias, quando estão juntas ou separadas.

As relações dos personagens são bem subjetivas, como a relação quase de incesto entre os filhos de Mecha. A atmosfera do filme não é alegre, e em nenhum momento a diretora parecer querer que a alegria tome conta do filme. Como disse, é realmente uma relação de família que se aproxima bastante da realidade.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Brazil


Brazil é um filme de 1985, que como muitos, faz crítica à sociedade, ao american way of life e o individualismo da sociedade moderna. Apresenta traços de Laranja Mecânica, mostrando a coerção daqueles que são considerados subversivos pelo Estado e de Blade Runner, filme também dos anos 80 que se passa em um tempo futuro, trazendo as idéias do diretor de como seria a sociedade nos anos 2000.
Brazil deixa claro o crescente individualismo que caracteriza a sociedade de uma maneira geral, em uma cena, um restaurante é atingido por uma bomba, as pessoas que foram feridas estão no chão, enquanto outras, continuam fazendo o que estavam fazendo como se nada estivesse acontecendo.
Uma outra referência bastante clara, é a do livro de George Orwell, 1984, que mostra o Estado como grande observador dos cidadãos e de suas liberdades. A música "Aquarela do Brasil", que toda várias vezes, em diversas situações, é um encaixe perfeito pro filme, que nos apresenta um mundo de sonhos de Sam (Jonathan Pryce), o protagonista da história.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Feral Children


Há um tempo atrás, uma das redações que eu tive que fazer foi sobre a felicidade. Se ela existia ou não. E quando comecei a escrever, percebi que a minha concepção de felicidade não é tão grandiosa e sim, muito simples.
Ninguém precisa de qualquer coisa pra ser feliz. O que tem que ser feito é saber dar aos fatos o valor que eles merecem. Assim como as pessoas. Não deve-se atribuir valores exorbitantes àquelas pessoas que não fazem a menor questão de tê-lo. O nosso dever é aproveitar ao máximo as oportunidades que a gente tem, pra não se arrepender depois. É como aquele ditado: certas coisas não batem duas vezes na mesma porta.
E depois de escrever, me perguntei de que jeito eu ia aprender a saber a que hora dar importância e a que hora esquecer certos assuntos. Acabei encontrando a resposta da maneira mais estranha: ouvindo um cd da Beth Orton. Comfort Of Strangers. Sempre gostei muito dela, mas nunca tinha parado pra prestar atenção nas letras e no que elas poderiam significar, exatamente, na situação que eu estava. E quando comecei a ouvir, duas músicas me chamaram muito a atenção e não consigo parar de ouví-las: don't need a reason e absinthe.
Tudo bem que não é a coisa mais grandiosa do mundo, mas me ajudou muito a pensar. E a conclusão foi que de dois meses pra cá, querendo ou não, tenho aprendido a saber valorizar as coisas na hora certa.

sábado, 19 de abril de 2008

A Enorme Sensibilidade (?) Brasileira

Essa semana, pensei em muitas coisas pra falar. E quando pensei em fazer meu blog a idéia principal foi falar de música, filme e, de vez em quando, alguma coisa que eu sentia. O problema é que tem muita coisa acontecendo.
E uma delas é a história da Isabela. A menina que o pai e a madrasta (?) mataram. E o que me veio à cabeça, sendo frio ou não, foi o quanto aquela situação era manipuladora do povo. Todo dia, casos como esse acontecem. Não é a coisa mais normal do mundo. Mas é fato que constantemente fatos como esse ocorrem. Porque será que só alguns tem toda essa repercussão que o "Caso Isabela" teve?.
Sinceramente, esta notícia que passa a cada jornal, seja televisivo ou não, a cada pequeno intervalo para transmissão dos últimos acontecimentos, me deixa tão revoltada e frustrada, quanto os que aparecem naquele caderno policial que muitas vezes as pessoas olham pra rir do sensacionalismo que é feito.
Não se pode negar a crueldade e frieza de que o fez. Mas não se pode negar o que anda por trás de todas essas notícias. Afinal, a polícia e a justiça brasileira realmente funcionam? Na minha opinião a solução desse caso não mostra nada. Pelo contrário, só me deixa lamentando mais a ignorância e passividade do povo. Então, se um dia acontecer isso comigo, eu quero toda a imprensa na minha casa, mostrando cada detalhe. Porque, afinal, a minha filha não seria diferente daquela criança.
O que falta não é descobrir quem matou e sim, porque que o nosso país precisa que todos fiquem sabendo da dor, da perda e do sofrimento de uma família pra que a verdade apareça? Sinceramente, o sensacionalismo não me comove. Me deixa com raiva, indignada, revoltada e com um sentimentos de injustiça.
É certo que nem todos os casos podem ser contados, mas porque algum deles são tão importantes? O que diferencia, como ser humano, a filha do advogado, da filha da empregada doméstica? São duas vidas, são duas crianças, são duas pessoas que foram assassinadas e precisam de justiça.
O que falta é aquele senso de pedir por justiça em qualquer situação. O povo brasileiro adora julgar e participar dos casos como se fossem uma espécie de detetives. Seja no Big Brother, no jogo de futebol , na política... Seria, realmente, a nossa sensibilidade ou a falta do que fazer?

domingo, 13 de abril de 2008

Não só de Hollywood...


É impressionante como filmes conseguem fazer com que a gente consiga encaixar aquilo que eles querem dizer tão subjetivamente, de uma forma tão óbvia.
Acho incrível como o ser humano precisa ser notado, elogiado e, quase, eternizado. Nem que seja na vida de pessoas comuns. E o mais curioso de tudo é que essa notoriedade é para atingir não somente uma pessoa, mas um grupo que a cerca.
No filme "Crepúsculo dos Deuses" (Sunset Boulevard) isso fica bem óbvio. A ex atriz de filmes mudos, Norma Desmond, procura, com sua volta, mostrar que ainda pode emocionar a maioria das pessoas.
E é mais ou menos o que eu penso. É essa necessidade de mostrar que ainda pode "acontecer" que me deixa frustrada. O comportamento que, na minha opinião, seria adequado é aquele em que você chama atenção, quer ser notado, por quem realmente lhe importa, não qualquer pessoa. Nem sempre essas pessoas precisam que alguém que só deseja ser notado, passe a fazer parte de sua vida.
Não adianta, todos, em algum momento, tiveram ou terão o comportamento de Norma Desmond. Que, a princípio, parece ser tão distante. Seja no aspecto de relacionamentos amorosos, de amizade, de trabalho ou para se diferenciar.